Quando temos alguma dúvida, nós perguntamos a quem sabe, assim conseguimos a resposta desejada, é um comportamento óbvio. O Google sabe muita coisa e nós temos plena consciência disso, por isso usamos com frequência o serviço de pesquisas mais popular da rede quando queremos saber alguma coisa. Ele está sempre acessível, responde rapidamente e parece ser uma fonte inesgotável de caminhos para os mais diversos assuntos.
Usamos o Google para procurar respostas. Essa semana eu precisei desabilitar o CSS de uma página para mostrar para meus alunos, mas eu não sabia fazer isso no Chrome, então eu fui perguntar para o buscador. Eu digitei no campo de pesquisa: “desabilitar css chrome” (sem as aspas) e descobri que uma extensão solucionaria meu problema facilmente. Os casos de procura por respostas são inúmeros, eu poderia pesquisar por hotéis numa cidade, por um aplicativo para gravar cds, por uma receita de salada ou como trocar o pneu de um carro. Nós queremos respostas.
Entretanto os mecanismos de busca atuais se baseiam em pesquisa por palavras-chave, por mais que uma pesquisa por “como eu troco o pneu de um carro?” possa retornar o que você deseja, não necessariamente o buscador estará entendendo seu texto como uma pergunta. O problema é que pesquisar por palavras-chave não é natural para todo mundo, novos usuários sentem dificuldade, por outro lado todo mundo sabe fazer perguntas desde criança. Então por que não simplesmente perguntar?
Isto nos leva a outros serviços existentes na rede, os serviços que se baseiam em perguntas e respostas. O mais badalado atualmente é o Quora, que simplificadamente é um serviço onde as pessoas perguntam o que querem saber e podem responder o que sabem. O Wolfram Alpha também pode ser considerado um serviço desse tipo, entre outras coisas ele consegue responder perguntas do tipo “How much Calcium in skim milk?” ou “What is the temperature in Boston?”. É muito mais simples entender o que o Wolfram Alpha vai responder quando eu pergunto algum dos exemplos anteriores do que entender os possíveis resultados de um buscador.
Com o lançamento do iPhone 4S vimos pela primeira vez o Siri integrado totalmente ao aparelho da Apple. Desde a primeira vez que eu ouvi falar do Siri eu fiquei empolgado com suas possibilidades, mas após a apresentação do Tim Cook eu vi que ele tinha um potencial ainda maior.
Uma das grandes sacadas do Siri é ser uma interface natural com o iPhone, você simplesmente fala e ele obedece, por exemplo você pergunta “What’s on my calendar for Friday?” e ele te mostra os compromissos da próxima sexta-feira. O Siri pode ser uma ferramenta fantástica para responder perguntas. Esse poder e a interface natural para todos os humanos de simplesmente perguntar falando pode tornar o assistente pessoal numa ferramenta de busca de conhecimento bastante interessante.
Se o Google sabe tudo, o Quora sabe um montão também. Imaginem o Siri acessando as respostas do Quora. Sim, o assistente pessoal possuiria parte do conhecimento de cada um dos mais de 1 milhão de usuários do Quora. E a integração não precisa se limitar só a uma serviço, de fato ela não se limita, pois já temos integração com Yelp, Wolfram Alpha, entre outros. Muito conhecimento ainda pode ser embutido no assistente pessoal da Apple.
O Siri pode transformar sua detecção de voz, sua inteligência artificial e a integração de vários serviços num buscador de conteúdo através de perguntas ainda mais poderoso. Sabemos que o Jobs sempre gostou de tornar as coisas fáceis, talvez num futuro a gente perceba que a Apple começou com o iPhone 4S a tornar o acesso a informação estupidamente simples, você pergunta e o Siri responde.